Morena de saia curtíssima
Esse poema é para ti
Ainda que, seguramente,
Dele nunca saberás
Te conheci há poucos dias
Quando eu caminhava ao trabalho
Os homens te admiravam
As mulheres te observavam
Ainda não eram as oito
Manhã fresca de primavera
Por isso vestias um casaquinho
E, nos pés, um alto salto
Desfilavas, não caminhavas
Com teus longos cabelos soltos
Eu ia logo atrás, filosofando
Para, oportunamente, poetizar
Era teu direito te vestires assim?
Corpo apropriado para isso tinhas
Como te receberiam no trabalho?
Ninguém se arruma assim pra nada
Serias modelo de profissão?
De repente trabalhasses em marketing
Expondo produtos aos clientes
Nesta semana de Black Friday
Eras uma mulher empoderada,
Decidindo o que, como, onde e quando
Vestires para deslumbrar os homens
E causares furor entre as mulheres?
O que estavas querendo transmitir
Apresentando-te assim tão... exuberante?
E se os homens te assediassem?
E se algum deles não se contivesse?
Como teria sido dentro do ônibus lotado?
Sim, porque ninguém de carro ou UBER
Percorreria a pé aquele trajeto
Seguramente utilizou transporte público
Oras, os policiais que controlassem
Os homens despreparados para a convivência
Quais policiais? Os da segurança pública,
Ocupados com necessidades e problemas reais?
Felizmente nada de mal aconteceu
Todos "viveram felizes para sempre"
Apenas este pensador e homem das letras
Eternizou o momento o revestindo de palavras
E você, senhora, senhor
O que opina do ocorrido e aqui narrado?
Deixemos as mulheres exuberantes
Desfilarem com suas saias curtíssimas?