18/11/2020

Salmo da Negritude

Santíssima Trindade Negra

Criastes com amor os negros

Redimistes por amor os negros

Santificais no amor os negros


Tradicionalmente Vos representaram

Com a pele clara dos europeus

Com os traços delicados dos europeus

Com as cores desbotadas dos europeus


Mas hoje Vos queremos representar

Com a pele escura dos africanos

Com os traços robustos dos africanos

Com as cores vibrantes dos africanos


Elas e eles são belos e valentes

Na Mãe-África e no mundo inteiro

Entoando seus cantos com encanto

Entre lágrimas de dor e de esperança


Não precisam da nossa mediação

Podem se expressar por si mesmos

Seus medos e gostos, problemas e projetos,

A violência que sofrem, a resistência que possuem


No passado, nós lhes arrancamos

De sua terra, de sua cultura, de sua liberdade

Deixando em seus antepassados

Feridas abertas que ainda hoje doem


No presente, nós lhes discriminamos

Nos consideramos melhores, superiores

Matamos seus filhos nas favelas, 

Estupramos suas filhas nas vielas


Não lhes damos oportunidade para vencer

Dificultamos o acesso aos estudos, à saúde

Nós lhes jogamos nas periferias, nas cadeias,

E lhes vendemos nossas bebidas e drogas


Pelo mesmo trabalho feito por um branco

Nós lhes pagamos um salário inferior

Desestimulando suas crianças e jovens

Que crescem tristes e revoltados


As vidas negras importam, sim, importam

Somamos nossas vozes às suas

Não nos calaremos, sairemos às ruas

No compromisso de criar um mundo sem racismo


Obrigado pela sua culinária tão peculiar

Tão rica em cores e sabores

Nós lhes admiramos nos esportes e artes

Com sua força e garra, talento e leveza


Nós lhes impusemos nossa fé

Sem respeitar as suas legítimas tradições

E lhes apresentamos uma divindade estrangeira

Que justificava nossos horrores


Mas é tempo de arrependimento, de pedir perdão

De pagar nossa dívida social

E decididamente caminhar lado a lado

Rumo a uma sociedade em que negro e branco sejam irmãos


Hoje lhes apresentamos um Deus que é amor

Que nos criou livres e abençoa a liberdade

Que morreu numa cruz para que tivéssemos vida n’Ele

Que decidiu habitar o coração das mulheres e homens justos


Viva os negros! Vivam os negros! Viva a negritude!

Neste vinte de novembro de lutas e vitórias

A Mãe Aparecida, a Negra do Brasil

Faça festa com todos sob o seu manto de amor!


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