28/11/2020

Morena de saia curtíssima

Morena de saia curtíssima

Esse poema é para ti

Ainda que, seguramente,

Dele nunca saberás


Te conheci há poucos dias

Quando eu caminhava ao trabalho

Os homens te admiravam

As mulheres te observavam


Ainda não eram as oito

Manhã fresca de primavera

Por isso vestias um casaquinho

E, nos pés, um alto salto


Desfilavas, não caminhavas

Com teus longos cabelos soltos

Eu ia logo atrás, filosofando

Para, oportunamente, poetizar


Era teu direito te vestires assim?

Corpo apropriado para isso tinhas

Como te receberiam no trabalho?

Ninguém se arruma assim pra nada


Serias modelo de profissão?

De repente trabalhasses em marketing

Expondo produtos aos clientes

Nesta semana de Black Friday


Eras uma mulher empoderada,

Decidindo o que, como, onde e quando

Vestires para deslumbrar os homens

E causares furor entre as mulheres?


O que estavas querendo transmitir

Apresentando-te assim tão... exuberante? 

E se os homens te assediassem?

E se algum deles não se contivesse?


Como teria sido dentro do ônibus lotado?

Sim, porque ninguém de carro ou UBER

Percorreria a pé aquele trajeto

Seguramente utilizou transporte público 


Oras, os policiais que controlassem 

Os homens despreparados para a convivência

Quais policiais? Os da segurança pública,

Ocupados com necessidades e problemas reais?


Felizmente nada de mal aconteceu

Todos "viveram felizes para sempre"

Apenas este pensador e homem das letras

Eternizou o momento o revestindo de palavras


E você, senhora, senhor

O que opina do ocorrido e aqui narrado?

Deixemos as mulheres exuberantes

Desfilarem com suas saias curtíssimas?

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