Não vou te subestimar, oh morte,
Es um adversário que merece respeito.
Houve um tempo em que eras implacável,
Mas, ainda hoje, causas angústia e terror.
Houve quem te chamasse de "irmã",
Vendo-te como serva de Deus,
Como quem resgata do sofrimento,
Chegando na hora e lugar determinados.
No entanto, para grande parte dos mortais,
Tu foste temida como a cruel impiedosa,
Que não faz distinção entre as pessoas,
Que arranca lágrimas dos corações mais duros.
Chegavas para trazer desgraças:
Solidão, desavenças, privações, impotência.
Alianças desfeitas, projetos suspensos,
Familiares e amigos, cada qual por seu lado.
Momentos felizes deixados para trás,
Papéis queimados, roupas e sapatos doados.
Objetos pessoais em sacos de lixo,
Flores no túmulo regadas por lágrimas.
Então veio a ressurreição de Cristo e tudo mudou.
Para quem tem fé, vida e morte ganham novo sentido.
Ainda dói, dói muito, despedir um ser querido,
Mas essa dor é aliviada pela confiança em Deus.
Entende-se que de Deus viemos e a Ele regressamos,
Que Ele nos fez, somos d'Ele, e nosso lugar é ao Seu lado.
Sabe-se que estamos neste mundo como peregrinos
Caminhando rumo à pátria definitiva, que é os Céus.
Amamos a vida, curtimos a vida, pois ela é dom de Deus,
Mas não nos apegamos a nada; tudo ficará ao partirmos.
Vivemos cada dia como se fosse o primeiro ou o último
Sem perder a oportunidade de amar e de ajudar.
Sabemos que se tornou eterno tudo o que o amor amou,
E que não importa quem vai ou quem fica
Pois todos vamos nos encontrar na Casa de Deus
E, pela oração, Céus e terra se comunicam no amor
Não sabemos se lá há bosques, rios, montanhas ou animais
Sabemos que é a Jerusalém celeste, habitada por Deus
Onde viveremos com os anjos, os santos, os amados do Pai,
Gozando da plenitude eterna, sem segredos nem mistérios.
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