É difícil demais nos despedir
Pela última vez de um ser querido,
Seja um familiar, parente ou amigo.
A simples notícia da sua morte
Já dilacera o coração, as entranhas,
Desestabilizando as estruturas.
Pois alimentamos a esperança
De que a pessoa vai se recuperar
E que voltará a conviver conosco.
É quase impossível não chorarmos
Ao vermos a comoção e lágrimas
Da esposa, do filho, da nora, do neto.
O corpo sem vida dentro do caixão
Enfeitado de flores, terço nas mãos,
Despertam sentimentos e lembranças.
Às orações e cânticos fúnebres
São bálsamo ao coração apertado,
Como também as palavras de apoio.
Quando coveiros fecham o caixão,
A certeza de não mais ver o corpo
Deixa as pernas bambas, sem chão.
A procissão fúnebre até a cova,
Vendo as pessoas levarem o caixão,
Aumenta a dor e angustia a alma.
E, então, o corpo é depositado,
E se escutam prantos de desespero
Enquanto olhares buscam o céu.
Deseja-se que tudo não passe
De um pesadelo, pra poder acordar,
E ver que a pessoa ainda vive.
Aprender a viver sem quem partiu
É tarefa difícil e dura demais.
Só Deus mesmo para sustentar.
A fé, que parecia inabalável,
Vacila, e dá lugar ao medo, à dúvida.
É preciso começar do zero de novo.
Tu, Senhor, que és Deus da Vida,
E que permites a morte do homem
Para que viva eternamente no Céu,
Num lugar onde já não há dor,
Nem lágrima, nem doença, nem mal,
Onde tudo é paz e plenitude no amor,
Acolhe na eternidade quem morreu,
Sem levar em conta seus pecados,
Pelos méritos de Cristo crucificado,
E consola aqueles que ficaram,
Confortando o seu sofrimento
Para que prossigam seu caminho,
Abertos à esperança que vem da fé,
Curando a tristeza e conservando
Apenas os bons momentos vividos.
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