26/03/2021

Vivendo a morte

É difícil demais nos despedir
Pela última vez de um ser querido,
Seja um familiar, parente ou amigo. 

A simples notícia da sua morte
Já dilacera o coração, as entranhas,
Desestabilizando as estruturas. 

Pois alimentamos a esperança
De que a pessoa vai se recuperar
E que voltará a conviver conosco. 

É quase impossível não chorarmos
Ao vermos a comoção e lágrimas
Da esposa, do filho, da nora, do neto. 

O corpo sem vida dentro do caixão
Enfeitado de flores, terço nas mãos,
Despertam sentimentos e lembranças. 

Às orações e cânticos fúnebres 
São bálsamo ao coração apertado,
Como também as palavras de apoio. 

Quando coveiros fecham o caixão,
A certeza de não mais ver o corpo
Deixa as pernas bambas, sem chão. 

A procissão fúnebre até a cova,
Vendo as pessoas levarem o caixão,
Aumenta a dor e angustia a alma. 

E, então, o corpo é depositado,
E se escutam prantos de desespero
Enquanto olhares buscam o céu. 

Deseja-se que tudo não passe
De um pesadelo, pra poder acordar,
E ver que a pessoa ainda vive. 

Aprender a viver sem quem partiu
É tarefa difícil e dura demais.
Só Deus mesmo para sustentar. 

A fé, que parecia inabalável,
Vacila, e dá lugar ao medo, à dúvida.
É preciso começar do zero de novo. 

Tu, Senhor, que és Deus da Vida,
E que permites a morte do homem
Para que viva eternamente no Céu, 

Num lugar onde já não há dor,
Nem lágrima, nem doença, nem mal,
Onde tudo é paz e plenitude no amor, 

Acolhe na eternidade quem morreu,
Sem levar em conta seus pecados,
Pelos méritos de Cristo crucificado, 

E consola aqueles que ficaram,
Confortando o seu sofrimento
Para que prossigam seu caminho, 

Abertos à esperança que vem da fé,
Curando a tristeza e conservando
Apenas os bons momentos vividos.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

70x7

Não te digo até sete Mas até setenta vezes sete Pedro perguntou a Jesus: Até sete vezes devo perdoar Se o meu irmão pecar Contra mim? Lhe re...