11/02/2021

Antes e agora

De primeiro, aprendíamos de nossas mães e pais

E nos era ensinado, quando crianças, na escola

Que, antes de falarmos, devíamos ouvir e pensar,

E abrirmos a boca só quando tínhamos a certeza.

 

Hoje, devido aos pais e professores despreparados,

A educação das crianças é terceirizada às tecnologias,

Que forma um exército de surdos que não pensam

E metralham inverdades com palavras ditas e digitadas.

 

Antes, nos ensinavam a ser pacíficos e pacificadores,

A respeitar às mulheres, idosos, crianças, indígenas,

Aos negros, asiáticos, deficientes, mendigos,

A quem pensasse, agisse, rezasse, vivesse diferente.

 

Agora, a cultura da violência se espalha como folhas ao vento,

Pessoas são covardemente atacadas por indivíduos

Que costumam se esconder detrás de um celular,

E se proliferam em perfis falsos nas redes sociais.

 

Antigamente nos manifestávamos nas avenidas e praças

Quando uma pessoa era assassinada ou sofria injustiças.

Hoje, quem o fizer, será julgado como rebelde, marginal.

Culpados são defendidos e as vítimas são culpadas.

 

Antigamente, defender a natureza, a vida, a justiça

Era visto como consciência e coerência com a fé cristã.

Agora, quem desconhece a Doutrina Social da Igreja,

Taxa de comunistas e esquerdistas a bispos e padres.

 

O direito à vida é universal e inviolável,

Respeitá-lo é evidenciar que somos animais racionais.

Não à misoginia, ao trabalho escravo e infantil, às queimadas!

Não à perseguição de LGBTQ+, das religiões de matriz africana.

 

Sim aos direitos trabalhistas, à proteção dos rios!

Não à redução da maioridade penal, à pena de morte!

Sim à reforma agrária, à igualdade salarial entre mulheres e homens!

Não ao fascismo, à corrupção, ao obscurantismo!

 

Agora me preparo à enxurrada de críticas

De quem idolatra a própria ignorância e não sabe dialogar,

Sem ter coragem de se ver refletido no espelho da verdade,

Demonstrando que no lugar do coração há uma pedra de gelo.

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