14/06/2023

Crer ou não crer?

Já não acredito no amor.

O que existe é interesse

Queremos dar e receber

Companhia, carícias, bens. 


Eu, sim, creio no amor.

Ele dá sentido à vida.

É entrega, é renúncia,

É superação, é proteção. 


Já não acredito na justiça.

O dinheiro tudo compra:

Consciências, sentenças, 

Juízes, autoridades. 


Eu, sim, creio na justiça. 

É o que salva a vida do absurdo:

Palavras e ações têm consequências.

O mal é um câncer a ser curado. 


Já não acredito na paz.

O homem é animal violento

Sedento de sangue e morte,

Impondo o terror e o medo. 


Eu, sim, creio na paz.

O bem é um tesouro a conquistar,

Um caminho a ser trilhado,

Uma pomba branca a voar. 


Já não acredito na honestidade.

Todos querem enriquecer

Rápido e sem esforços, 

Tomando atalhos sombrios. 


Eu, sim, creio na honestidade,

No pão conquistado com o suor

Do próprio trabalho e esforço, 

Renunciando vantagens indevidas. 


Já não acredito em religião. 

Ela é o ópio do povo,

Enganando com doces mentiras,

Alienando as pessoas da realidade. 


Eu, sim, creio na religião.

A razão e os cinco sentidos

Não alcançam a verdade completa,

À qual se chega pela fé, pelo amor. 


Já não acredito na verdade.

O que hoje é não, amanhã será sim.

Cada qual inventa seu discurso.

Os loucos convencem a muitos tolos. 


Eu, sim, creio na verdade.

O conhecimento é progressivo.

A cada novo dia se aprende mais

E o saber é um sol que brilha e aquece.

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