Já não acredito no amor.
O que existe é interesse
Queremos dar e receber
Companhia, carícias, bens.
Eu, sim, creio no amor.
Ele dá sentido à vida.
É entrega, é renúncia,
É superação, é proteção.
Já não acredito na justiça.
O dinheiro tudo compra:
Consciências, sentenças,
Juízes, autoridades.
Eu, sim, creio na justiça.
É o que salva a vida do absurdo:
Palavras e ações têm consequências.
O mal é um câncer a ser curado.
Já não acredito na paz.
O homem é animal violento
Sedento de sangue e morte,
Impondo o terror e o medo.
Eu, sim, creio na paz.
O bem é um tesouro a conquistar,
Um caminho a ser trilhado,
Uma pomba branca a voar.
Já não acredito na honestidade.
Todos querem enriquecer
Rápido e sem esforços,
Tomando atalhos sombrios.
Eu, sim, creio na honestidade,
No pão conquistado com o suor
Do próprio trabalho e esforço,
Renunciando vantagens indevidas.
Já não acredito em religião.
Ela é o ópio do povo,
Enganando com doces mentiras,
Alienando as pessoas da realidade.
Eu, sim, creio na religião.
A razão e os cinco sentidos
Não alcançam a verdade completa,
À qual se chega pela fé, pelo amor.
Já não acredito na verdade.
O que hoje é não, amanhã será sim.
Cada qual inventa seu discurso.
Os loucos convencem a muitos tolos.
Eu, sim, creio na verdade.
O conhecimento é progressivo.
A cada novo dia se aprende mais
E o saber é um sol que brilha e aquece.