E se, de repente, sem procurar,
Você visse sua chefe com um amante,
Seu vizinho maltratando um cachorro,
Um funcionário roubando do caixa?
E se, por acaso, você descobrisse
Que o produto à venda é roubado,
Que o escritor plagiou aquele livro,
Que seu sobrinho fuma maconha?
Você fingiria que não viu nada
E manteria as aparências
(afinal, aquilo não é da sua conta)?
É melhor não se meter no assunto?
Você procuraria aquela pessoa,
Buscando convencê-la a mudar,
Oferecendo-lhe bons conselhos,
Que não vale a pena viver no erro?
Você comentaria com outra pessoa,
Falaria da miséria e podridão alheias,
O quanto o ser humano é contraditório,
Que ninguém é digno de confiança?
Você contaria tudo ao traído,
Às autoridades civis, ao patrão,
Aos pais do seu sobrinho,
Para que tomassem as providências?
E se pegassem você em flagrante,
Cometendo um erro gravíssimo?
Como você reagiria? O que faria?
Assumiria o crime? Negaria firmemente?
Qual é a atitude mais correta?
Como agiria uma pessoa sensata?
O que fazer diante da miséria do outro?
E quando o miserável somos nós próprios?