16/10/2021

Que absurdo

Que saudades da época em que,
Sentado com familiares e amigos,
Contávamos piadas de preto, de viado,
De mulher, entre tragos e gargalhadas.

Sinto falta daquele tempo bom,
Quando podíamos dizer besteiras,
Tirar sarro de pobre e de doente,
Sem que ninguém nos incomodasse.

Agora somos obrigados a respeitar
Quem pensa e age diferente de nós,
A escolher as palavras corretas,
Para que ninguém se sinta ofendido.

É um saco ter que escutar essa gente
Falando dos direitos das minorias,
Limitando nossa liberdade de expressão,
Nosso jeitão consolidado nessas terras.

Somos forçados a respeitar os macumbeiros,
Os aleijados, as putas, os pedintes,
Os índios, os travecos, o débil mental,
Os orelhas-secas, os cachaceiros...

Meu pai falava assim, meu avô também,
Mas agora eu tenho que ser diferente
E tenho que ensinar isso às crianças,
Aos meus filhos e aos filhos deles.

Dizem que, se eu não mudar,
Alguém pode gravar a minha fala,
Posso ser denunciado, processado, preso,
Pagar multa ou prestar serviço comunitário.

Então eu não vou pagar pra ver, né?
Vai que realmente eu possa me dar mal.
Mas eu não dou o braço a torcer.
Na minha cabeça, tudo continua igual.

Não posso dizer nem falar,
Mas ainda me acho superior aos demais.
Tenho dó de quem não é homem, branco,
Classe média, católico, assim como eu...

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